
Os Tímidos, o Irresistível Desejo de Conquistas e o Medo
Parece não fazer sentido esse título, mas corresponde fielmente à realidade. Os tímidos, em sua grande maioria, são dotados de grande capacidade de imaginação, ou seja, sonhar acordado não é nada difícil para eles. Esse fato, adicionado à condição de exclusão do tímido (por ele mesmo, ou por um grupo de pessoas), faz com que suas aptidões intelectuais sejam, via de regra, muito aperfeiçoadas durante o curso de suas vidas. Em miúdos: os tímidos são muito inteligentes e criativos.
Ora, se temos todas as essas boas características, porque será que os tímidos não conseguem realizar seus projetos, concretizando tudo aquilo que haviam sonhado e certamente estava tão bem planejado? A única resposta viável para isso é: medo de errar! Sim, tímidas e tímidos, é esse o ponto crucial cujo desfecho é sempre previsível: os sonhos ficam no campo das hipóteses, na imaginação apenas. Não é dado nenhum passo no sentido da concretização dos desejos mais íntimos, portanto mais fortes. E com isso vem o sentimento de impotência e fracasso. A partir daí, cada novo sonho já vem no “pacote das impossibilidades reais”, entenderam? É isso, do instante em que os tímidos não conseguem realizar seus objetivos, alcançar suas metas, satisfazer seus desejos, para que então sonhar, imaginar, desejar, se nada vai ser possível no real?
Parece assustador à primeira vista, e se levarmos em conta que em milhares de casos de timidez as pessoas vão perdendo até a vontade de sonhar... Então, como não deixar chegar a esse ponto? Note, não há fórmula mágica e pronta, ainda mais se levarmos em conta que cada caso é um caso, portanto único, mas há caminhos mais seguros para se chegar à concretização de seus sonhos e desejos, e um deles é o de como perder o medo de errar.
Um exercício simples, que aprendi há muitos anos, me fez ampliar – e muito – meu conhecimento sobre mim mesmo. Nele, aprendi a não me cobrar tanto e a perdoar as pessoas, e me perdoar. Consiste no seguinte:
Perdoando as pessoas
• Imagine-se num auditório imenso, cheio de pessoas e, uma a uma, sobem ao palco. Preste bem atenção, visualize a face e o corpo da pessoa que você carrega alguma mágoa. Procure se lembrar do acontecido, não com os sentimentos seus, mas sim os sentimentos da pessoa que está lá encima. Sempre haverá mais que uma possibilidade de erro, afinal somos humanos, porque então não perdoá-la agora? Perdoe... Diga mentalmente o nome dessa pessoa e a perdoe!
Repita esse procedimento (de coração, senão não se libera desse peso dos ressentimentos que estão sobre os seus ombros) até que todas as pessoas, das quais você carrega uma mágoa, saiam do palco e do auditório. Só restará você!
Perdoando a si mesmo
• Agora é sua vez! Suba ao palco. Note que na platéia existe uma pessoa sentada observando-o... Lá encima pronuncie seu nome: assim: Eu, Fulano, nesse momento peço perdão a você (repita o seu nome de novo, com muita sinceridade). Se for verdadeiro, você perceberá que a pessoa que estava sentada no auditório se levantou e foi embora. Isto quer dizer que você conseguiu se perdoar. Esse momento é mágico, traz grande alívio à alma. É maravilhosa essa sensação!
Agora, desça do palco da imaginação e volte ao real. Se você conseguiu perdoar a todas (eu disse todas) as pessoas que, de alguma forma, lhe fizeram mal e, também, conseguiu se perdoar a si mesmo, você já está habilitado a sonhar novamente, só que dessa vez não ficará apenas no campo da ilusão. Não! Você está capacitado para ousar. E, mais ousado, se permitir a errar. E, errando, você irá conseguir chegar no acerto. E o acerto é a concretização de seus sonhos e desejos. Você perdoou e foi perdoado, agora não tem mais medo de errar. Porque errar para você lhe trazia culpa, da qual você mesmo não era capaz de perdão.
Agora é diferente! Está preparado para errar! Está preparado para acertar!
Ouse!









